Aumento de casos de sífilis no Japão alerta autoridades sobre prevenção e diagnóstico precoce

Publicado em 07/10/2024
Por Eduardo Rodrigues

O Japão está enfrentando um aumento alarmante de casos de sífilis, uma doença sexualmente transmissível, com mais de 10.000 novos casos registrados até meados de setembro de 2024. A tendência de crescimento rápido já havia sido observada no ano anterior, que viu o maior número de infecções da história recente do país, com 14.906 casos.

A sífilis, causada pela bactéria Treponema Pallidum, é transmitida por contato sexual e, se não tratada, pode causar danos graves ao coração, cérebro e outros órgãos. Os sintomas iniciais incluem feridas nos genitais e boca, além de erupções na pele, que podem se espalhar pelo corpo.

Desde 2013, o número de casos vem aumentando, com mais de 1.000 infecções naquele ano, até atingir o recorde de 2023. Em 2024, a doença continua a se espalhar rapidamente, com 10.162 novos casos reportados até setembro. Esse crescimento é preocupante, já que no final dos anos 1990, o número de infecções era de apenas cerca de 500 por ano.

Cerca de 65% dos infectados são homens, com idades variando entre 20 e 50 anos. Entre as mulheres, quase 60% das infectadas estão na faixa dos 20 anos, incluindo grávidas, o que gera preocupações crescentes sobre a sífilis congênita — transmitida da mãe para o bebê durante a gravidez.

Vários fatores contribuem para o aumento dos casos de sífilis no Japão. O uso crescente de aplicativos e plataformas de encontros online facilita encontros casuais, aumentando a exposição ao vírus. Além disso, a pandemia de COVID-19 sobrecarregou os centros de saúde pública, dificultando o diagnóstico precoce da sífilis, o que resultou em maior disseminação da infecção.

Outro ponto crítico é o aumento de casos de sífilis congênita. Em 2023, o Japão registrou 37 casos, um recorde, sendo 9 em Tóquio. Até junho de 2024, já foram relatados 14 novos casos. A sífilis congênita pode causar complicações graves nos bebês, como problemas auditivos, inflamações nos olhos e anomalias ósseas.

Diante desse cenário, as autoridades japonesas têm intensificado os esforços para facilitar o acesso ao diagnóstico e tratamento da sífilis. Desde o início de 2024, Tóquio estendeu o horário de atendimento de um centro de testes e consultas na área de Kabukicho, em Shinjuku. O serviço, oferecido às quartas-feiras, será anônimo, gratuito e com suporte em inglês, chinês e coreano, visando atrair mais pessoas, especialmente mulheres.

O professor Katsumi Shigemura, do Hospital da Universidade Teikyo, destaca que muitos pacientes não procuram ajuda médica imediatamente porque os sintomas da sífilis podem desaparecer temporariamente nos estágios iniciais, levando-os a acreditar que estão curados. Ele enfatiza a importância do tratamento precoce para evitar complicações graves. "Os pacientes devem seguir o tratamento com antibióticos por um mês e verificar com o médico se a infecção foi completamente erradicada", alertou.

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