Desde outubro, o governo japonês alterou as políticas de cobertura de saúde para medicamentos de marca com patentes expiradas, aumentando os custos para os pacientes que optarem por estes produtos. A mudança é um passo na estratégia governamental de reduzir os gastos públicos em saúde e estimular o uso de medicamentos genéricos, que apresentam a mesma eficácia e são financeiramente mais acessíveis.
Pelo novo sistema, parte do valor dos medicamentos de marca, que antes era coberta pelo seguro de saúde, passa agora a ser arcada pelos próprios pacientes. Essa alteração representa um aumento na parte dos custos a cargo do paciente, que normalmente varia de 10% a 30% do valor total. Por exemplo, a pomada Hirudoid, usada no tratamento de dermatite atópica e recomendada para bebês, agora custa ¥2,439 por 300 gramas — um aumento de ¥774.
A promoção do uso de genéricos tem sido uma política pública no Japão há mais de 20 anos, alcançando hoje cerca de 80% de uso em volume, mas apenas 56,7% em valor. O governo japonês espera aumentar essa taxa para mais de 65% em valor até o fim do ano fiscal de 2029. Segundo um representante do Ministério da Saúde, a medida não se aplica quando o médico recomenda um medicamento de marca por razões clínicas, ou quando não há opções genéricas disponíveis na farmácia.
Alguns medicamentos amplamente utilizados, como antialérgicos e adesivos, também estão na lista dos que tiveram seus custos elevados. Hospitais e farmácias estão informando os pacientes sobre as novas regras, mas espera-se resistência, especialmente de pessoas que ainda preferem os medicamentos de marca. Um representante da indústria médica observou que muitos pacientes percebem diferenças entre produtos originais e genéricos, mesmo que ambos contenham os mesmos princípios ativos.
A medida também objetiva combater o uso inadequado de medicamentos. O Hirudoid, por exemplo, é monitorado pelo Ministério da Saúde devido ao grande volume de prescrições com fins estéticos e revenda online no exterior. Um representante do setor médico mencionou que a nova política pode ajudar a reduzir essas prescrições, beneficiando a saúde pública e o controle de gastos.
Contudo, há preocupação com aumentos adicionais nos preços de medicamentos originais, pois o Ministério das Finanças avalia ampliar a exclusão da cobertura do seguro para esses produtos. Um membro do Partido Liberal Democrático advertiu que aumentos bruscos poderiam impactar negativamente não apenas os pacientes, mas também a indústria farmacêutica.


