Japão endurece regras e ameaça Instagram e TikTok

Publicado em 07/05/2026
Por Redação

O governo do Japão estuda o endurecimento das normas de proteção a menores de idade no ambiente digital por meio de uma proposta do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações que atualmente passa pelo crivo de especialistas. Diferente de outras nações que adotaram restrições severas, a abordagem japonesa sinaliza um caminho mais cauteloso, focando na responsabilidade das plataformas e na conscientização sobre riscos.

Pela proposta em análise, as operadoras de redes sociais deverão assumir a implementação de sistemas de verificação de idade, além de serem obrigadas a avaliar e divulgar publicamente os perigos associados ao uso de seus serviços. Segundo informações do Japan Daily, a diretriz do gabinete é garantir a segurança do público infantojuvenil sem recorrer a proibições excessivas. O cronograma oficial prevê a entrega de um relatório detalhado até o verão, com a redação final das medidas concluída até o encerramento deste ano.

Atualmente, o país dispõe da Lei de Promoção de um Ambiente Aprimorado para o Uso Seguro da Internet por Jovens, que já estabelece mecanismos para restringir o acesso a conteúdos nocivos. Entretanto, autoridades reconhecem que a legislação vigente carece de eficácia no contexto específico das redes sociais. Para equilibrar o debate, o governo decidiu ouvir estudantes do ensino fundamental e médio em audiências públicas, buscando entender a visão dos próprios usuários sobre os prós e contras das restrições.

A discussão ganha complexidade ao esbarrar em preceitos da Constituição japonesa, como o direito à informação e a liberdade de expressão. Relatórios técnicos anteriores sugerem que, em vez de bloqueios, as empresas de tecnologia deveriam oferecer interfaces e serviços adaptados ao estágio de desenvolvimento de cada faixa etária.

Dados recentes reforçam a urgência do tema no âmbito da saúde e segurança pública. Uma pesquisa do Centro Médico e de Dependência de Kurihama indicou que cerca de 6% dos jovens entre 10 e 29 anos apresentam sinais de uso patológico de redes sociais. Paralelamente, o monitoramento da Agência Nacional de Polícia revelou um cenário de vulnerabilidade: 1.566 crianças foram vítimas de crimes cometidos através dessas plataformas, frequentemente impulsionados pelo tempo excessivo de exposição às telas.

Fonte: Japan Daily/ Foto ilustrativa

Sugestão de leitura

+Mais Japão Todos direitos reservados