Gravação do contato com a torre registra pedidos de socorro e relato de descida descontrolada nos últimos instantes do voo que vitimou nove pessoas
Um acidente envolvendo um jato executivo Learjet 60 mobilizou equipes de emergência neste domingo (1), no Condado de Palm Beach, na Flórida, nos EUA. De acordo com a imprensa local, a aeronave caiu na região de Greenacres durante um voo internacional.
O avião, de prefixo N722BD, havia decolado de Austin, no Texas, e seguia para North Eleuthera, nas Bahamas. Durante o trajeto, a tripulação teria enfrentado condições meteorológicas adversas, incluindo turbulência e formação de gelo, algo que lembre as causas do desastre da Voepass, em 2024. As circunstâncias da queda ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Comunicação de emergência antes da queda
Registros de comunicação atribuídos à tripulação indicam que os pilotos inicialmente relataram gelo nas superfícies da aeronave e turbulência moderada. A situação teria piorado rapidamente durante o voo.
Em um dos trechos divulgados, a piloto declarou emergência e informou que o avião estava descendo a uma velocidade de 10 mil pés por minuto. O controlador de tráfego aéreo tentou manter contato com a tripulação enquanto acompanhava a ocorrência.
Outro trecho atribuído à comunicação registra uma descida ainda mais acentuada, de aproximadamente 22 mil pés por minuto, acompanhada de uma inclinação lateral de 60 graus. A autenticidade e o contexto completo das gravações precisam ser considerados na apuração oficial do acidente.

Imagens mostram queda em Greenacres
Imagens de câmeras de segurança que teriam registrado o acidente mostram a aeronave descendo em ângulo muito acentuado antes de atingir o solo. A colisão provocou uma explosão e uma grande bola de fogo, algo que lembra uma queda de míssil ou Kamikaze durante a Segunda Guerra Mundial.
A velocidade vertical mencionada nas comunicações equivale a aproximadamente 407 km/h. Dessa forma, o número representa a taxa de descida convertida para outra unidade, e não necessariamente a velocidade total da aeronave.
A formação de gelo é uma das condições que podem comprometer a segurança de um avião. O acúmulo nas asas altera o fluxo de ar e pode reduzir a sustentação. Além disso, em determinadas circunstâncias, também pode prejudicar o funcionamento de componentes e sistemas da aeronave.
NTSB deve apurar as causas
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) é o órgão responsável por investigar acidentes de aviação civil no país. A apuração deverá considerar as condições meteorológicas, os registros de comunicação, os dados de voo e os destroços.
Entre os pontos que devem passar por análise estão a possível formação de gelo, o comportamento dos sistemas de controle e a resposta da aeronave às condições enfrentadas durante o trajeto. As caixas-pretas, que registram dados técnicos e comunicações da cabine, podem fornecer informações importantes para reconstruir os últimos momentos do voo.
A identificação oficial das vítimas e a confirmação do número de ocupantes devem seguir os procedimentos das autoridades norte-americanas, incluindo a comunicação às famílias.
Conversa na íntegra, traduzida para o português
A comunicação começa com a piloto falando em tom aparentemente tranquilo, logo após relatar condições meteorológicas desfavoráveis, turbulência e formação de gelo na aeronave. Em seguida, a situação se agrava rapidamente. A transcrição apresentada registra o seguinte diálogo:
Pilota: “722 BRAVO DELTA, estamos descendo a 8.000 pés por minuto. Mayday, Mayday! Descendo a 10.000 pés por minuto.”
Controlador: “NOVEMBER 722 BRAVO DELTA, recebido.”
Pilota (exasperada): “Declarando emergência! 722 BRAVO DELTA, estamos em descida íngreme e DESCENDO A 20.000 PÉS POR MINUTO!”
Controlador: “722 BRAVO DELTA, entendido. Diga-me o que precisa.”
Pilota: “Nós vamos nos chocar contra o chão, 722 BRAVO DELTA...” (grito)
Controlador: “722 BRAVO DELTA, estou aqui com você. Fale comigo!”
Pilota (nervosa): “Estamos descendo 22.000 pés por minuto... e inclinando a 60 graus...”
Controlador: “NOVEMBER 722 BRAVO DELTA, recebido.”
Pilota (gritando): “NÓS VAMOS BATER! NÃO TEMOS MAIS TEMPO...” (a transmissão é interrompida)
Controlador: “NOVEMBER 722 BRAVO DELTA? NOVEMBER 722 BRAVO DELTA, consegue me ouvir? NOVEMBER 722 BRAVO DELTA, identifique-se, por favor.”
Após a última mensagem da piloto, o controlador tenta estabelecer contato novamente, mas não recebe resposta. Dessa forma, a gravação termina sem que a tripulação consiga informar se havia alguma possibilidade de recuperar o controle da aeronave.


