O Ministério Público de Saitama pediu, nesta quarta-feira (9), uma pena de 18 anos de prisão para o brasileiro Matheus Tanji Serra, de 33 anos, acusado de matar sua ex-companheira Dalva Chisae Iwata com múltiplas facadas no peito em junho de 2022. Além disso, o réu enfrenta acusações relacionadas à violação das leis de controle de narcóticos e armas brancas.
Durante a audiência no Tribunal Regional de Saitama, a promotoria ressaltou a gravidade do crime, destacando que "a mulher, indefesa, foi esfaqueada várias vezes na frente de sua filha mais velha". Embora o acusado tenha se entregado à polícia após o crime, a promotoria argumentou que isso ocorreu apenas depois de sua identidade ser revelada pelo testemunho da filha, o que, segundo o Ministério Público, não configura uma confissão legal.
Os familiares da vítima compareceram ao julgamento e expressaram sua dor, exigindo prisão perpétua. "Uma vida preciosa foi tirada por um motivo egoísta, e vivemos com uma tristeza imensa. Não queremos que ele saia da prisão nunca mais", disseram.
A defesa, por outro lado, argumentou que 12 anos de prisão seriam suficientes e pediu absolvição das acusações relacionadas ao uso de entorpecentes. Afirmaram que o crime foi influenciado por um ciúme doentio e pela incapacidade do réu de controlar sua raiva, agravada pelo alcoolismo. Além disso, a defesa sustentou que, no momento em que Serra se entregou, sua identidade como autor do crime ainda não havia sido estabelecida, tornando sua confissão válida.
Em sua declaração final, o réu expressou arrependimento: "Sinto muito pela família dela. Se pudesse voltar no tempo, teria agido para evitar que o crime acontecesse."
O julgamento está sendo conduzido com um júri popular, e o veredito será anunciado pelo juiz Kenichi Emi na próxima quarta-feira, dia 16.
De acordo com a acusação, no dia 12 de junho de 2022, Serra esfaqueou sua ex-parceira, que tinha 43 anos, várias vezes no peito, causando sua morte por hemorragia. O réu também é acusado de ter consumido metanfetaminas entre o final de maio e o dia 12 de junho daquele ano.
O crime ocorreu em uma ponte entre Honjo (Saitama) e Isesaki (Gunma), onde uma testemunha viu um homem com aparência estrangeira esfaqueando uma mulher e ligou para a polícia por volta das 17h. Quando as autoridades chegaram, a vítima já estava no chão, e o brasileiro havia deixado o local. Horas depois, ele foi encontrado sentado em frente a uma delegacia em Isesaki, onde foi preso após confessar o crime.
Matheus Tanji Serra e a vítima não eram oficialmente casados, mas já haviam morado juntos. Segundo fontes policiais, os dois já estavam separados no momento do assassinato.


