O Japão deixou de figurar entre os dez principais destinos internacionais escolhidos por turistas chineses para o período de feriados do Dia Nacional da China, que se estende por uma semana com início na quinta-feira. O recuo na preferência dos viajantes ocorre em meio ao desgaste nas relações entre os dois países vizinhos, segundo levantamento divulgado pela agência de viagens chinesa Tuniu.
No ano passado, o Japão liderou as intenções de viagem para este mesmo período, que engloba também o Festival do Meio Outono, com duração de três dias a partir de sexta-feira. De acordo com a agência, países como Indonésia, Turquia e Coreia do Sul ocupam agora as posições de maior destaque na preferência do público chinês.
A mudança no comportamento dos consumidores reflete orientações emitidas em novembro passado pelas autoridades de Pequim, que pediram aos cidadãos que evitassem viagens ao Japão. A medida seguiu-se a declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi ao Parlamento japonês, nas quais sinalizou que uma eventual ofensiva militar chinesa contra Taiwan poderia provocar uma resposta das forças de defesa do Japão. Pequim considera a ilha autogovernada parte de seu território e afirma ter a intenção de submetê-la ao seu controle, inclusive com uso de força se necessário.
O impacto da tensão já é sentido no cotidiano. "Certamente há pessoas que achariam difícil escolher o Japão como destino de viagem diante da atmosfera atual", relatou um cidadão chinês que viajou ao arquipélago no início deste ano.
Dados da Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO) confirmam a retração: nos primeiros seis meses deste ano, o número de visitantes vindos da China sofreu uma queda de 56,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O feriado do Dia Nacional comemora o 77º aniversário de fundação da República Popular da China, e o governo projeta uma movimentação de 2,13 bilhões de viagens até a próxima quarta-feira. Somente na quinta-feira, pico do feriado, a previsão oficial aponta para cerca de 340 milhões de deslocamentos domésticos. Mais de 90% dessas viagens devem ocorrer por rodovias, beneficiadas pela isenção de pedágio em vias expressas durante as celebrações. Para atender à alta demanda provocada pela expansão dos veículos elétricos no país, o governo informou ter instalado mais de 10 mil postos de recarga rápida nas estradas ao longo deste ano.


