A crescente popularidade da princesa Aiko reacendeu o debate sobre a rígida lei de sucessão japonesa, que permite apenas herdeiros homens no trono. Aos 24 anos, Aiko tem atraído multidões e conquistado simpatia por sua postura pública, o que impulsiona movimentos que defendem a possibilidade de uma imperatriz reinante, algo proibido desde 1947.
A pressão ocorre em meio a uma crise de sucessão: a família imperial encolheu para apenas 16 membros, e o único herdeiro masculino da geração mais jovem é o príncipe Hisahito, de 19 anos. Especialistas alertam que o modelo atual ameaça a sobrevivência da monarquia, enquanto parlamentares conservadores, incluindo a primeira-ministra Sanae Takaichi, resistem a qualquer mudança.
Aiko tornou-se ainda mais popular após sua primeira missão solo no exterior, no Laos, e em viagens com os pais, nas quais demonstrou sensibilidade ao abordar temas históricos como a Segunda Guerra Mundial. Admiradores e ativistas têm organizado campanhas, quadrinhos, vídeos e ações online para pressionar o Parlamento a revisar a lei.
A trajetória de Aiko, marcada por desafios pessoais, períodos de bullying na infância e a doença da mãe, Masako, fortalece o vínculo com o público. Hoje, formada pela Universidade Gakushuin, ela cumpre funções oficiais e trabalha voluntariamente na Cruz Vermelha.
O impasse sobre a sucessão é agravado por um sistema considerado antiquado. Embora o Japão tenha tido oito imperatrizes ao longo da história, o modelo exclusivamente masculino foi consolidado no século XIX e mantido após a guerra. Tentativas de reforma foram engavetadas em 2005 após o nascimento de Hisahito, e propostas recentes de adotar descendentes distantes da linhagem imperial são vistas como impraticáveis.
Organismos internacionais, como o comitê da ONU para os direitos das mulheres, pediram ao Japão que permita uma imperatriz, recomendação rejeitada pelo governo. Para especialistas, a questão vai além da sucessão: simboliza a persistente desigualdade de gênero no país. E, enquanto Aiko permanece fora da linha sucessória, cresce o temor de que a monarquia, com 1.500 anos de história, esteja se aproximando de um ponto crítico.
Fonte: Kyodo News


