Suicídios no Japão caem, mas casos entre jovens preocupam

Publicado em 27/10/2026
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O Japão registrou 19.188 mortes por suicídio em 2025, o menor número desde o início da série histórica e a primeira vez que o total ficou abaixo de 20 mil. Os dados constam no Livro Branco de 2026 sobre medidas de prevenção ao suicídio, aprovado pelo Gabinete em 23 de outubro. Apesar da queda geral, os casos entre jovens continuam preocupando as autoridades, especialmente entre mulheres com até 29 anos.

De acordo com o relatório, a taxa de suicídio entre meninas de até 19 anos subiu de 2,1 por 100 mil habitantes, em 2019, para 4,6 em 2025. Entre mulheres de 20 a 29 anos, o índice passou de 10,2 para 13,7 no mesmo período. Além disso, os dados mostram uma tendência gradual de aumento entre meninos de até 19 anos. O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar aponta que dificuldades relacionadas à saúde mental e problemas familiares podem contribuir para esse cenário.

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Estudantes atingem recorde de casos

O documento também identificou a repetição de episódios de automutilação e tentativas de suicídio entre jovens. Entre as mulheres de até 29 anos que passaram por essas situações, aproximadamente 60% já haviam se automutilado ou tentado tirar a própria vida mais de uma vez. Além disso, entre as mulheres atendidas em centros hospitalares de emergência, cerca de metade recebeu apenas informações sobre serviços de aconselhamento. Somente 20% conseguiram contato com redes de apoio, como órgãos municipais e organizações especializadas.

Embora o total de mortes tenha diminuído, o Japão registrou 538 suicídios entre estudantes do ensino fundamental, do ensino ginasial e do ensino médio em 2025, o maior número já contabilizado nesse grupo. O relatório também aponta quedas entre homens empregados que vivem com outras pessoas, homens desempregados e mulheres que cuidam da casa. Por outro lado, não houve redução entre estudantes, trabalhadores que moram sozinhos e aposentados que vivem sem companhia.

Yasuyuki Shimizu, responsável pela organização sem fins lucrativos Lifelink, que atua na prevenção do suicídio, relacionou o aumento entre mulheres jovens à pressão social e à exposição a avaliações sobre a aparência. Segundo ele, as redes sociais podem intensificar esse impacto sobre a saúde mental. Por isso, Shimizu defende a ampliação do atendimento digital, incluindo sistemas que apresentem automaticamente serviços de aconselhamento quando alguém publicar mensagens de sofrimento na internet. O relatório também destaca a importância de conectar pessoas atendidas em hospitais a serviços concretos de apoio, capazes de reduzir os riscos no cotidiano.

Serviços de apoio no Japão

Se você ou alguém próximo estiver passando por um momento difícil, existem serviços de atendimento no Japão:

  • Inochi SOS: 0120-061-338, ligação gratuita. Atendimento 24 horas às segundas, quintas e sextas-feiras. Às terças, quartas, sábados e domingos, das 6h à meia-noite.
  • Inochi no Denwa: 0570-783-556, das 10h às 22h. Outra opção gratuita é o 0120-783-556, das 16h às 21h. No dia 10 de cada mês, o atendimento funciona das 8h até as 8h do dia seguinte.
  • Mamorou yo kokoro: site do Ministério da Saúde do Japão, com informações sobre atendimento por mensagens e chat.
  • TELL Japan, em inglês: telljp.com. Linha telefônica: 0800-300-8355, gratuita, ou 03-5774-0992. Também oferece atendimento por chat.

Os horários podem mudar. Consulte os sites oficiais antes de procurar atendimento.

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