A taxa de aprovação do gabinete da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, caiu 2,1 pontos percentuais e atingiu 53,7%, o menor patamar desde sua posse, em outubro do ano passado. Os dados, divulgados neste domingo pela agência Kyodo News, refletem o desgaste do governo após a aprovação acelerada de projetos polêmicos no Parlamento (Dieta).
A perda de apoio ocorre em meio a críticas da oposição e da sociedade de que o bloco governista, formado pelo Partido Liberal Democrata (PLD) e pelo Partido da Inovação do Japão (JIP), impôs sua ampla maioria para aprovar leis sem o devido debate público. Entre as medidas mais controversas está a criação de uma "segunda capital" de reserva para Tóquio em casos de emergência, apontada por críticos como um favor político ao JIP, sediado em Osaka. Segundo a pesquisa, 66,9% dos entrevistados consideram que não houve discussão suficiente sobre o tema, e 57,5% classificaram a postura do governo nas negociações como "linha-dura".
Outro ponto central do desgaste envolve a reforma da Lei da Casa Imperial, voltada a conter o encolhimento da família real. Embora a nova regra autorize a adoção de homens de antigos ramos imperiais e permita que mulheres mantenham o status nobre ao casar com plebeus, quase metade da população (50%) avalia que o tema não foi compreendido pelo público. Além disso, 81% dos entrevistados defenderam que mulheres deveriam poder assumir o trono, contradizendo o sistema de sucessão exclusivamente masculino mantido pela lei.
O levantamento também apontou que 56% apoiam a recente criminalização da profanação da bandeira nacional, enquanto 47,1% defendem a redução imediata do imposto sobre alimentos de 8% para 1% para combater a inflação. A pesquisa ouviu 1.046 eleitores por telefone entre sábado e domingo.


