Guias brasileiros no Japão: Aumento de turistas impulsiona o mercado

Publicado em 05/11/2024
Por Silvio Mori

As medidas pós-pandemia para o impulsionamento do turismo no Japão, como a isenção de visto de turista para alguns países, entre eles o Brasil, proporcionou um crescimento na busca por guia de turismo.

Brasileiros residentes em cidades turísticas no país viram uma oportunidade de trabalho e os que já atuavam no setor, um aumento de clientes.

O "Japão Hoje" conversou com cinco profissionais que estão atuando na área e todos foram unânimes em relação ao aumento de turistas brasileiros no Japão.

Clarissa Ramallo e seus clientes em dia de turismo. (Foto: Arquivo pessoal)

Clarissa Ramallo vive no Japão há 30 anos e nos últimos cinco anos, tem se especializado em conduzir brasileiros por diferentes regiões do Japão. Segundo ela, a recente liberação da entrada de turistas brasileiros sem necessidade de visto gerou um aumento expressivo na demanda. Desde a abertura, ele já atendeu mais de 100 pessoas, entre tours individuais e de grupos, confirmando o crescente interesse dos brasileiros em desbravar o Japão com o suporte de alguém que conheça tanto a cultura local quanto a língua.

"Os brasileiros ficam inseguros em relação à barreira do idioma e ao desconhecimento dos costumes japoneses," explica. De acordo com Clarissa, essa é a principal razão pela qual os turistas procuram seus serviços, buscando não apenas tradução, mas também compreensão dos valores e da etiqueta local.

Douglas Hiro disse que sua transição para o turismo começou em 2023.

Com apenas dois anos e meio residindo no Japão, Douglas Hiro iniciou formalmente seu trabalho na área em 2023. A transição para o turismo, porém, começou a ser planejada em 2020, durante a pandemia. Essa diferença de tempo e experiências mostra que, apesar de distintas origens, o desejo de compartilhar o Japão com turistas brasileiros une os profissionais desse setor.

"É gratificante ver que, mesmo começando recentemente, já consegui construir uma rede de confiança com os clientes," comenta o segundo guia, que também destaca o papel das parcerias com outros guias renomados e agências no sucesso de sua nova carreira.

Pri já atendeu diversos clientes, entre eles, celebridades como Sabrina Sato.

Há 20 anos no Japão e atuando como guia turística há dois, Pri Yokomizo é uma brasileira que se destaca por auxiliar turistas em suas aventuras pelo país. Desde a isenção de visto para brasileiros, ela percebeu um crescimento significativo no número de visitantes do Brasil. “A isenção do visto tem trazido muitas pessoas do Brasil pra passear aqui. Trabalho quase todos os dias e atendo em torno de 20 grupos por mês; acredito que este ano já passei de 800 pessoas. Só este mês acompanhei um grupo de 29 pessoas por cinco dias”, compartilha.

Pri explica que o principal motivo para os brasileiros contratarem seus serviços é a dificuldade com o idioma e o sistema de transporte, além do interesse em conhecer mais a fundo a cultura e história do país. "O idioma e o deslocamento são grandes preocupações, já que o inglês nem sempre é bem compreendido por aqui, e a escrita japonesa é bem diferente. Muitos querem aprender sobre os costumes e a história, além de contar com ajuda para entender a dinâmica de transporte e visitas aos pontos certos", afirma.

Kathllyn atua, principalmente, na região de Hiroshima. (Foto: Arquivo pessoal)

Kathllyn Almeida, há 29 anos no Japão e com dois anos como guia, atua em Hiroshima, onde percebe uma forte curiosidade dos brasileiros pela história da cidade. Ela destaca que os visitantes procuram não só conhecer a cultura local, mas também sentir-se à vontade em um país onde o inglês nem sempre é compreendido. “Com um guia, é mais fácil entender os costumes e a cultura local. Nós levamos os turistas aos melhores restaurantes e ajudamos a otimizar o tempo", conta.

Rebeka abriu sua própria empresa em 2023. (Foto: Arquivo pessoal)

Residente no Japão desde 2008 e guia profissional desde 2017, Rebeka Katagiri, abriu sua própria empresa no setor em 2023, com uma expectativa de crescimento de 30% até o final do ano. Atuando em cidades como Kyoto, Osaka e Tóquio, ela oferece um serviço completo que garante a tranquilidade dos clientes, desde famílias até celebridades brasileiras. Para ela, a experiência de um guia é fundamental para que os turistas aproveitem cada momento da viagem.

O trabalho requer dedicação e comprometimento

Para quem quer se aventurar como guia, precisa de dedicação e comprometimento. O trabalho de “guia” não se resume a levar os clientes nos pontos turísticos, proporcionam uma ponte entre o Brasil e o Japão, facilitando o entendimento de uma cultura rica e complexa. É preciso muito estudo da língua, da cultura e dos locais a serem visitados.

Pri explica que é um trabalho que exige muita responsabilidade, pois está lidando com o sonho das pessoas. Além disso, é uma atividade desgastante e cansativa.

“Eu tenho percebido e até recebido alguns feedbacks de clientes que tiveram facilitadores e não guias. As pessoas nos veem passeando e pensam que é um trabalho fácil, mas não é. Eu estudei e estou sempre estudando muito a História, a cultura e as novidades do Japão”, declarou.

Valores

De acordo com nossos entrevistados, os valores variam de acordo com a necessidade do cliente, conforme o roteiro planejado. Na maioria, todos disseram entregar mais do que o combinado, pois um roteiro sempre está aberto para pequenas alterações.

O trabalho de um guia pode custar de 200 a 500 dólares por dia, dependendo da quantidade de pessoas e do roteiro.

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