Um forte terremoto de magnitude preliminar 7,5 atingiu o nordeste do Japão na noite de segunda-feira, levando a Agência Meteorológica do Japão a emitir um alerta de tsunami para áreas costeiras de Hokkaido e das prefeituras de Aomori e Iwate. O alerta foi suspenso nas primeiras horas da manhã de terça-feira.
O tremor ocorreu às 23h15, na costa do Pacífico da província de Aomori, a uma profundidade de 54 quilômetros. Posteriormente, a agência informou que a ocorrência aumenta a possibilidade de novos terremotos de magnitude semelhante ou superior nos próximos dias.
Foi a primeira vez que a agência emitiu um alerta desse tipo para as regiões costeiras de Hokkaido e para a costa de Sanriku, que se estende de Aomori até as prefeituras de Iwate e Miyagi. O Gabinete do governo pediu à população que mantenha vigilância especial por pelo menos uma semana, orientando que kits de emergência permaneçam acessíveis para uma eventual evacuação imediata.
O terremoto ocorreu ao longo da trincheira submarina que se estende ao largo da costa de Hokkaido e do nordeste japonês, região onde há o encontro da placa do Pacífico com a ilha principal de Honshu, considerada uma das áreas de maior risco sísmico do país. O grande terremoto de 2011, de magnitude 9,0, que deixou cerca de 20 mil mortos e desaparecidos e provocou o desastre nuclear de Fukushima, também ocorreu nessa faixa.
Inicialmente estimado em 7,2, o abalo teve a magnitude revisada para 7,5. A agência chegou a alertar para um tsunami de até 3 metros, mas a maior onda observada foi de cerca de 70 centímetros na costa de Iwate. O alerta foi rebaixado para aviso cerca de três horas e meia após o tremor e totalmente suspenso às 6h20 da manhã de terça-feira.
O terremoto atingiu nível superior de 6 na escala sísmica japonesa, que vai até 7, em partes da província de Aomori, e foi sentido até no centro de Tóquio.
A Agência Meteorológica explicou que o alerta especial é emitido quando um terremoto de magnitude 7,0 ou superior ocorre na região da trincheira do Pacífico, após análise técnica detalhada. Segundo o órgão, há uma probabilidade de 1 em 100 de que um terremoto de magnitude 8 ou maior aconteça nos próximos sete dias, embora esse tipo de alerta não implique, automaticamente, uma ordem de evacuação.
A primeira-ministra Sanae Takaichi pediu que a população acompanhe atentamente as informações oficiais ao longo da semana e esteja pronta para evacuar ao primeiro sinal de novos tremores. O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, e o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, afirmaram que as ações de resgate e apoio às áreas afetadas são prioridade do governo.
Em Aomori e Hokkaido, foram registrados mais de dez feridos, incluindo ao menos um caso grave na cidade de Hidaka, em Hokkaido. Até o momento, não há registro de mortes. Em Aomori, cerca de 2.700 residências ficaram sem energia elétrica.
Autoridades informaram que não foram detectadas anomalias nas usinas nucleares de Hokkaido, Aomori, Miyagi e Fukushima, nem na unidade de reprocessamento de combustível nuclear de Rokkasho, no litoral do Pacífico de Aomori.
Os serviços do trem-bala Tohoku Shinkansen foram interrompidos entre as estações de Fukushima e Shin-Aomori. Um trem com 94 passageiros ficou temporariamente parado na província de Aomori, segundo a operadora JR East.
Moradores relataram cenas de pânico durante a madrugada, em meio a temperaturas abaixo de zero. Em Hachinohe, um homem na faixa dos 40 anos contou que estava dormindo quando sentiu o abalo, descrito como um forte impacto vindo de baixo, seguido por tremores prolongados. Em Kamaishi, na província de Iwate, uma mulher de 75 anos afirmou que precisou se refugiar em uma área mais alta dentro de um carro conduzido pela filha.
Nas áreas costeiras de Aomori e Iwate, os termômetros marcaram menos de 5 °C durante a madrugada. Um funcionário público de 27 anos, em Kuji, Iwate, relatou que encontrou gelo no para-brisa do veículo usado para evacuação.
Em Hakodate, em Hokkaido, o escritório da agência de notícias Kyodo ficou parcialmente danificado, com uma estante de aço tombada e arquivos espalhados pelo chão após o tremor.
Com informações Kyodo News e NHK News


