O Partido Liberal Democrático (PLD) obteve um resultado histórico nas eleições gerais realizadas no último domingo, conquistando uma maioria de dois terços na Câmara dos Representantes do Japão. A vitória expressiva fortalece a autoridade da primeira-ministra Sanae Takaichi, garantindo o apoio necessário para avançar com sua agenda conservadora e propostas de reformas estruturais.
Com o controle de mais de 310 assentos dos 465 que compõem a Câmara Baixa, o PLD torna-se a primeira legenda no Japão do pós-guerra a alcançar tal marca de forma isolada. Este patamar legislativo permite que o governo aprove projetos de lei mesmo diante de eventuais rejeições na Câmara dos Conselheiros, onde a base governista é minoritária, além de facilitar o processo de emenda à Constituição.
O crescimento da bancada governista, que saltou de 198 para a atual maioria qualificada, é atribuído à popularidade de Takaichi, que assumiu o cargo em outubro passado. A coligação conta ainda com o apoio do Partido da Inovação do Japão (JIP), o Nippon Ishin. Apesar da parceria, o líder do JIP, Hirofumi Yoshimura, destacou que a campanha foi marcada por uma forte pressão competitiva do PLD e indicou uma postura cautelar quanto à ocupação de cargos ministeriais.
Em contrapartida, a oposição sofreu um revés contundente. A Aliança Reformista Centrista, formada recentemente pela união de membros do Partido Democrático Constitucional e do Komeito, viu seu número de cadeiras reduzido pela metade. O desempenho negativo levou os co-líderes Yoshihiko Noda e Tetsuo Saito a sinalizarem a possibilidade de renúncia.
No campo das siglas menores, o partido populista Sanseito ampliou sua presença de duas para 13 cadeiras. Já a Equipe Mirai, focada em pautas de tecnologia e participação digital, estreou na câmara com nove representantes eleitos.
O pleito ocorreu sob condições climáticas adversas, com fortes nevascas em diversas regiões, o que não impediu o aumento da participação eleitoral. Segundo dados da Kyodo News, a afluência foi de 56,23%, com um recorde de 27 milhões de votos antecipados.
A agenda de Takaichi para o novo mandato foca em dois pilares principais: uma política fiscal agressiva para combater a inflação e o fortalecimento das capacidades de defesa nacional. Entre as promessas imediatas está a discussão sobre a suspensão por dois anos do imposto de 8% sobre o consumo de alimentos, uma medida vista como essencial para aliviar o custo de vida das famílias japonesas.
Apesar do sucesso eleitoral, a primeira-ministra enfrenta críticas por ter convocado as eleições em fevereiro, mês marcado pelo rigor do inverno, e por priorizar o calendário político em detrimento da aprovação do orçamento para o ano fiscal de 2026, que poderá sofrer atrasos no Parlamento.
Fonte: Kyodo News / Imagem: Reprodução


