O primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, sugeriu a possibilidade de criar uma grande coalizão com partidos de oposição como uma alternativa viável para estabilizar o governo, após sua coalizão perder a maioria na Câmara dos Representantes na eleição geral de outubro.
Em um programa de rádio gravado no dia 24 de dezembro e transmitido nesta quarta-feira (27), Ishiba declarou:
"Essa seria uma opção," referindo-se à possibilidade de uma coalizão com partidos opositores.
No entanto, ele fez uma ressalva importante:
"Devemos ter cuidado, pois, sem um propósito claro, um único erro poderia resultar na criação de algo semelhante à Associação de Assistência ao Governo Imperial," comparando a proposta ao grupo que buscava unificar a política durante a Segunda Guerra Mundial, eliminando divisões e faccionalismos.
Ishiba mencionou sua relação de longa data com dois líderes opositores: Yoshihiko Noda, do Partido Constitucional Democrático do Japão (principal partido de oposição), e Seiji Maehara, co-líder do Partido da Inovação do Japão.
"Buscamos uma política centrista e temos algo em comum. Somos amigos de longa data. Posso confiar neles e nunca fui traído por eles," afirmou o primeiro-ministro.
Tetsuo Saito, líder do Komeito, partido parceiro na atual coalizão governista, também comentou a possibilidade de uma grande coalizão:
"Gostaria de desempenhar um papel central na construção de consenso dentro da coalizão governista, e espero que isso leve a uma grande coalizão," disse ele em outro programa de rádio transmitido na mesma quarta-feira.
As declarações de Ishiba marcam uma mudança de tom em relação ao que disse em um programa de televisão transmitido no domingo passado. Na ocasião, ele afirmou que não operaria o governo considerando uma coalizão com partidos de oposição, mas que buscaria apoio pontual, dependendo das questões em pauta.
A perda da maioria pelo Partido Liberal Democrático (PLD) nas últimas eleições colocou pressão sobre Ishiba para buscar alternativas que garantam estabilidade ao governo. A ideia de uma coalizão, especialmente com partidos de oposição, divide opiniões dentro do próprio PLD e entre os eleitores, levantando questões sobre até que ponto compromissos podem ser feitos sem sacrificar ideais partidários.


