Questão imigratória domina debates eleitorais no Japão diante de recorde de residentes estrangeiros

Publicado em 06/02/2026
Por Redação

A questão dos estrangeiros ganhou destaque na eleição da Câmara dos Representantes, com partidos buscando acalmar as preocupações dos eleitores diante do número recorde de residentes não japoneses no país. Analistas alertam que tratar os estrangeiros como um grupo uniforme pode prejudicar discussões profundas, enfatizando a necessidade de manter a ordem em uma sociedade tradicionalmente homogênea. Segundo a Agência de Serviços de Imigração, o número de residentes estrangeiros atingiu quase 4 milhões em junho de 2025, representando 3,2% da população, com projeções de que esse índice chegue a 10,8% até 2070.

O aumento da atenção pública e críticas sobre comportamentos problemáticos ou abusos em sistemas públicos levaram o partido Sanseito a defender controles mais rígidos sob o lema "Japonês primeiro". Essa postura influenciou outras legendas a abordarem o tema de forma mais consciente, embora especialistas apontem que políticas uniformes são irrealistas, já que o grupo inclui desde trabalhadores qualificados e investidores até turistas. A professora Eriko Suzuki, da Universidade Kokushikan, observa que o público japonês tem demonstrado ansiedade emocional com essa presença crescente, o que leva políticos a focarem em fiscalização em vez de medidas de benefício mútuo.

O especialista Masamichi Ida, da Universidade Meiji, aponta que o discurso do Sanseito gerou alvoroço entre eleitores que temem a transformação do Japão em uma nação multirracial. Atritos causados pelo turismo pós-pandemia e a valorização imobiliária devido a compras por estrangeiros também alimentam essas preocupações. No cenário eleitoral, o Japan Innovation Party propôs limites rigorosos à imigração, enquanto a Aliança Reformista Centrista defende uma sociedade multicultural. O PLD, por sua vez, prometeu discutir regulamentações para a compra de terras e o endurecimento dos controles de imigração e seguridade social.

Antes mesmo do pleito, o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi finalizou políticas para promover uma convivência harmoniosa e combater a permanência ilegal, visando reduzir o sentimento de injustiça em relação a violações de regras por uma minoria. Por outro lado, Motoki Yuzuriha, da Mynavi Global Corp., vê como positiva a centralidade do tema, acreditando que uma gestão adequada pode diminuir avaliações injustas sobre trabalhadores estrangeiros, que já somam mais de 2,57 milhões no país.

Especialistas concordam que o Japão aceita trabalhadores estrangeiros para compensar o declínio demográfico, tornando sua presença uma realidade de longo prazo. O ministro da Justiça, Keisuke Suzuki, previu que a população estrangeira ultrapassará 10% por volta de 2040, destacando a necessidade de gerir esse fluxo sem alimentar o medo. No entanto, analistas criticam a falta de discussão sobre como minimizar atritos culturais nas empresas e a necessidade de criar uma sociedade mais inclusiva, abordando questões como o isolamento de crianças estrangeiras nas escolas, em vez de focar apenas na imposição de regras e manutenção da ordem.

Com informações da Agência Kyodo News

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