Toshifumi Suzuki, o visionário que revolucionou o varejo japonês ao introduzir a rede 7-Eleven no país, faleceu aos 93 anos, vítima de insuficiência cardíaca. A informação foi confirmada pela Seven & i Holdings, grupo do qual era consultor honorário.
Nascido em 1932, na província de Nagano, Suzuki iniciou sua trajetória na Ito-Yokado em 1963, após uma passagem pela distribuidora Tohan Corp. Sua percepção estratégica mudou o mercado em 1973, quando buscou nos Estados Unidos a licença para a marca 7-Eleven. Antecipando transformações sociais, como a ascensão de famílias com dupla renda e a mudança nos hábitos noturnos, ele inaugurou a primeira loja de conveniência do Japão em 1974, com o apoio de Masatoshi Ito.
A gestão de Suzuki ficou marcada pela obsessão pela eficiência e lucratividade. Ele introduziu métodos rigorosos de análise de estoque e pedidos baseados no desempenho individual de cada produto, prática que mais tarde seria replicada em unidades norte-americanas. Kenji Yamamoto, dono da primeira loja da rede em Toyosu, destacou que, em um momento em que o conceito de loja de conveniência era inédito, Suzuki trabalhou incansavelmente junto aos franqueados para entender as necessidades dos consumidores.

A ascensão de Suzuki ao topo da hierarquia corporativa ocorreu em 1992, após suceder Ito na presidência da Ito-Yokado. Em 2005, ele consolidou sua influência ao fundar a Seven & i Holdings, integrando marcas como Ito-Yokado, Seven-Eleven Japan e Denny’s Japan. Sua capacidade de inovação foi evidenciada pela criação do Seven Bank, que popularizou a presença de caixas eletrônicos em lojas de conveniência, transformando o cotidiano financeiro dos japoneses. Sob sua liderança, o grupo também absorveu a rede Sogo & Seibu.
A trajetória de Suzuki no comando da holding encerrou-se em 2016, quando renunciou após o conselho de administração rejeitar sua proposta de sucessão para a presidência da Seven-Eleven Japan.
Mesmo afastado das operações executivas, manteve-se uma voz ativa e provocadora sobre os rumos do setor. Em 2019, refutando críticas de que o mercado de conveniência estaria saturado, Suzuki reafirmou sua confiança na capacidade de adaptação do modelo, declarando em entrevista à Kyodo News que o potencial das lojas ia muito além da oferta de alimentos, chegando a sugerir que seria possível vender "até mesmo aviões".
Além de seu impacto incontestável no varejo, Suzuki teve uma vida pública ativa, ocupando cargos de relevância na Keidanren, a poderosa Federação Empresarial do Japão e presidindo a Universidade Chuo, sua alma mater.
Fonte e foto: Kyodo News


